Eu gosto de Martin Amis. O meu amigo Trevor, também inglês como Amis, e residente aqui já há largos anos, acha que Amis é um "wanker" sem grande interesse. Porém Amis é, para mim, um escritor bastante decente. Não tem a qualidade literária de McEwan, mas tem uma componente de cinismo e ironia fina na sua escrita que sempre me encantaram. Conheci-o pela primeira vez em 97 ou 98 numa crónica do Expresso, salvo erro da Clara Ferreira Alves. Daí para cá adquiri vários exemplares que tenho lido e relido repetidas vezes (aliás é um escritor fácil de encontrar nas livrarias do costume), estando os mesmos espalhados pela estanteria cá de casa. De uma maneira geral acho que aprecio todos os livros que li dele; talvez o favorito seja Time´s Arrow, que comprei em Londres na altura em que descobri Amis. Contudo existe um deles que nunca consegui acabar. Este, o da figura ao lado. Koba, o terrível (Koba the Dread). É um livro terrível que nos dá uma visão pessoal (política) de Amis sobre uma das grandes insanidades do século XX (ascensão do comunismo) e do seus efeitos nefastos, em particular na antiga União Soviética. Choca a frieza da contagem das vítimas da Colectivização forçada, da Guerra Civil e do Terror Vermelho. Por norma acabo sempre as leituras que começo, mas neste caso a verdade é que nunca o consegui acabar. Choca-me a selvajaria daquilo tudo, o tempo que durou e a nossa indulgência. Como dizia Koba "...a morte de uma pessoa era trágica, mas a morte de um milhão não passava de estatística...". Números. Ainda não é desta que o vou acabar. Hum. Números.
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04 julho 2007
Números.
Eu gosto de Martin Amis. O meu amigo Trevor, também inglês como Amis, e residente aqui já há largos anos, acha que Amis é um "wanker" sem grande interesse. Porém Amis é, para mim, um escritor bastante decente. Não tem a qualidade literária de McEwan, mas tem uma componente de cinismo e ironia fina na sua escrita que sempre me encantaram. Conheci-o pela primeira vez em 97 ou 98 numa crónica do Expresso, salvo erro da Clara Ferreira Alves. Daí para cá adquiri vários exemplares que tenho lido e relido repetidas vezes (aliás é um escritor fácil de encontrar nas livrarias do costume), estando os mesmos espalhados pela estanteria cá de casa. De uma maneira geral acho que aprecio todos os livros que li dele; talvez o favorito seja Time´s Arrow, que comprei em Londres na altura em que descobri Amis. Contudo existe um deles que nunca consegui acabar. Este, o da figura ao lado. Koba, o terrível (Koba the Dread). É um livro terrível que nos dá uma visão pessoal (política) de Amis sobre uma das grandes insanidades do século XX (ascensão do comunismo) e do seus efeitos nefastos, em particular na antiga União Soviética. Choca a frieza da contagem das vítimas da Colectivização forçada, da Guerra Civil e do Terror Vermelho. Por norma acabo sempre as leituras que começo, mas neste caso a verdade é que nunca o consegui acabar. Choca-me a selvajaria daquilo tudo, o tempo que durou e a nossa indulgência. Como dizia Koba "...a morte de uma pessoa era trágica, mas a morte de um milhão não passava de estatística...". Números. Ainda não é desta que o vou acabar. Hum. Números.
08 junho 2007
Alcácer Quibir. Dia 10 de Junho.
“De que cor é o medo?”, perguntou D. Sebastião ao Duque de Alba, quando este o tentou dissuadir da empresa marroquina, na presença de Filipe II. “Da cor da prudência, Senhor”, respondeu o duque. Este primeiro post que vos remeto, aborda um livro que li recentemente e que me cativou de forma particular, pois responde a algumas questões presentes no nosso subconsciente colectivo. A principal será: porque somos assim?
Por uns modestos 17 euros (ou seja menos que um concerto...), e após umas quatro ou cinco horas de leitura intensa, chegamos ao fim do túnel. O livro apresenta-nos (e aqui socorro-me de uma análise excelente que li algures, não recordo onde) quatro verdades:
-primeiro: que os países pequenos precisam mais de estratégia que os grandes (pois carecem de recursos para recuperar dos desastres);
-segundo: um país não se deve afastar daquilo em que tem vantagem competitiva;
-terceiro: liderança (um líder fraco faz fraca a gente forte, a frase não é minha, Camões dixit);
-por último: prudência. E aqui remeto-vos para o parágrafo inaugural deste post.
Leiam este livro, riam-se e por fim chorem. Eu sei que alguns de vós não esperavam um post destes, para mais como post inicial. Mas achei que era pertinente, tanto mais porque domingo é o dia que é...
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